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La Voz del Cielo

Lección 1

Para el 7 de Abril de 2007


 

1. Se a primeira verdade que aprendemos nas Escrituras a respeito do homem é que se trata de um ser criado, partilhando a semelhança com Deus (Gn 2:7), a segunda verdade acerca do homem é a respeito de sua queda (Gn 3). Satanás destronou Deus na vida do homem e colocou-se no lugar dEle (2Co 4:4). Com a desobediência, queda e conseqüente expulsão do paraíso, o relacionamento da criatura com o Criador sofreu uma ruptura radical. Alienado de Deus, a condição espiritual do homem passou a ser de morte espiritual e cegueira (Gn 2:17; 3:24; Ef 2:1, 5), e a comunicação direta com o Criador foi interrompida.

Curiosamente, no capítulo da queda (Gn 3), a palavra pecado não aparece, mas este é o capítulo bíblico mais profundo sobre o pecado. É importante observar que, no contexto da lição deste trimestre, Gênesis 3:1-6 não apenas descreve a queda da raça, mas descreve a estratégia seguida por Satanás. Aproximando-se de Eva disfarçado em serpente, ele utiliza um esquema duplo para subverter a Palavra de Deus. Primeiro, ele pergunta: "Disse Deus realmente ‘não comereis de toda árvore do jardim?’ " O inimigo suscitou dúvida quanto à natureza da Palavra de Deus. Realmente, o primeiro ataque do tentador foi dirigido contra a Palavra de Deus: "Disse Deus...?" ou "É verdade que Deus disse...?" (Gn 3). Segundo, ele avançou para a questão metodológica: Vamos assumir que Deus tenha dito alguma coisa a você e você pensa: "será que Ele realmente quis dizer isso?"

Em outras palavras, a narrativa de Gênesis sugere duas razões maiores para a erosão da autoridade bíblica:

a) Incerteza quanto à natureza da Palavra divina

2) Incerteza de como ela deve ser entendida.

A incerteza nestas duas áreas leva ao pluralismo, relativismo, à incerteza e finalmente à desobediência.

Deus havia dito: "se comerdes, certamente morrereis" (Gn 3:3). Satanás contrafez: "Certamente, não morrereis" (Gn 3:4) As afirmações são contraditórias e se anulam mutuamente. Se uma é verdadeira, a outra não pode ser. Além disso, a aceitação de uma ou de outra leva a destinos também diametralmente opostos e que se eliminam.

Não é precisamente aí que o inimigo continua vencendo os seres humanos? Leva-os a desconfiar do que Deus diz, ou então sugere interpretações contraditórias que se ajustem às suas predileções? Por outro lado, deve-se observar ainda que a Palavra de Deus, "certamente morrereis", parece descontextualizada, ilógica ou "anticientífica", uma vez que ainda não se conhecia a morte. Para muitos, não é precisamente esta, ainda, uma forte justificativa para se rejeitar a Palavra de Deus? Se os cientistas tivessem tido a oportunidade de analisar o fruto proibido, teriam concluído que, do ponto de vista fenomenológico, não havia absolutamente nada com o que se preocupar. Nenhum veneno aparente, nenhuma propriedade tóxica que tornasse o fruto diferente dos outros. O fato, contudo, é que, afinal, Deus estava absolutamente correto, e a fé representa o triunfo sobre as "evidências." Tais "evidências," quando em oposição com a Palavra de Deus, não passam de ilusão de ótica. Temos exemplos disso em outras situações em que os sentidos pareciam negar uma verdade divina: o Dilúvio, o nascimento de Isaque, a destruição de Sodoma e Gomorra etc.).

2. Deus não faz perguntas para que nossas respostas possam informar-Lhe do que Ele já sabe. Sua perguntas têm, primariamente, o propósito de nos fazer pensar.

Às vezes, sugerindo às pessoas que elas devem "buscar a Deus," damos a impressão de que é Deus quem está perdido que nós devemos encontrá-Lo. Mas a verdade é exatamente o inverso. É o homem que está perdido e a iniciativa da busca está sempre com Deus. O pecado é, provavelmente, o único tipo de doença que faz o doente correr ou se esconder do Médico e da cura.

O que o tenta? Como você considera as restrições divinas expressas na Palavra? O que você costuma fazer quando é apanhado "nu" em algum erro: a) Esconde-se? b) Acusa outros? c) Procura "folhas de figueira," ou seja, justificativas? d) Permite que Deus o vista com Sua graça?

Qual você pensa ser a maior conseqüência da desobediência? a) Sentimento de culpa? b) Medo de ser descoberto? c) Descobrir que os resultados negativos superam em muito os supostos "benefícios"? d) Sentir-se alienado de Deus? Qual é sua resposta típica às tentações e ao pecado? a) Deixa que os impulsos o controlem? b) Submete-se às pressões sem muita luta? c) Planeja a queda? d) Prepara-se para a batalha antecipadamente?

II Timóteo 3:16 garante que toda a "Escritura foi inspirada por Deus", embora nem todas as Escrituras tenham sido inspiradas da mesma forma. Um dos meios mais comuns de revelação foi através dos profetas. No modelo profético, Deus escolheu pessoas específicas e falou através delas, valendo-Se de sonhos visões, teofanias, ou vindo a elas diretamente.

3. Os profetas são um dos canais utilizados por Deus para nos alcançar com Sua mensagem... As palavras nabhi (em hebraico) e prophetes (em grego), não significam primariamente "falar antes" (predizer o futuro), mas "falar por". "Falar em lugar" de Deus foi a missão primária dos profetas bíblicos. Expressões como: "veio a mim a Palavra do Senhor" ou "Assim diz o Senhor," e expressões paralelas, ocorrem centenas de vezes no Antigo Testamento; precisamente, 3.808 vezes, o que sugere que os profetas compreenderam que Deus era, em última análise, a origem daquilo que eles proclamavam. No Novo Testamento, o apóstolo Pedro claramente indica que nenhuma profecia veio como resultado da vontade humana (2Pe 1:21).

4. Não temos qualquer porção da Bíblia escrita pelo profeta Natã (2Sm 12). Portanto, embora seja claro que ele não foi um profeta canônico, ainda assim foi um profeta enviado por Deus, com uma missão específica. Isto sugere que Deus tenha utilizado outros profetas, dos quais nunca ouvimos.

A função profética foi, primariamente, transmitir a mensagem recebida de Deus. Originalmente, isto foi feito através da palavra falada. No curso do tempo, as palavras dos profetas canônicos foram preservadas em livros. Mas os escritos sagrados não sofreram nenhum grau de fossilização. Tais escritos continuaram tendo o status de Palavra de Deus, transcendendo, tempo, espaço e circunstâncias. Devemos lembrar ainda que, embora utilizemos as palavras para comunicar conhecimento, a Palavra de Deus é primariamente instrumental e revelatória. Através dela, o Senhor age, transforma, ilumina, aquece, purifica e julga. A Palavra de Deus é comparada não apenas ao fogo, mas a um martelo que despedaça a rocha (Jr 1:10; 23:29); alimento, luz, espada e verdade.

Jesus Cristo, a Palavra encarnada, é a revelação por excelência.

Deus falou "de muitas maneiras,... "nestes últimos dias..." (Hb 1:1).

Deus falou na Criação: "Pela palavra do Senhor foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito da Sua boca", declara o salmista (Sl 33:6). No magnífico relato da criação, em Gênesis 1, lemos: "E disse Deus: Haja luz. E houve luz."(1:3). Cada estágio da criação é descrito de forma semelhante, onde a Palavra é o instrumento da ordem criada. Além disso, a criação continua dando testemunho de Deus e do poder mantenedor de Sua Palavra.

  1. Deus falou através de eventos históricos.

  2. Deus falou pelos profetas.

  3. Deus fala através da consciência moral do homem.

Quando os escritores do Antigo Testamento se referem à "Palavra de Deus," ou "Palavra de Jeová..." ou "Palavra do Senhor", tais expressões ocorrem com enorme freqüência. Além disso, encontramos que as referências à Palavra também ocorrem em alto índice com pronomes possessivos ("Minha Palavra", ou "Tua Palavra"). Nos escritos dos profetas, a referência à Palavra do Senhor chega ao seu uso mais freqüente. Ela aparece em todos os livros proféticos (Am 3:8; Os 1:1). O início de Joel, Jonas, Miquéias, Ageu, Zacarias e Malaquias, são semelhantes. Isaías adverte: "Ouvi a Palavra do Senhor..."(Is 1:10, cf. 40:8). Jeremias abre seu livro de uma forma que sugere a verdade acerca de toda a Bíblia: "As palavras de Jeremias, o filho de Hilquias.. A ele veio a Palavra do Senhor" (Jr 1:1, 2) Em Jeremias, a frase "a Palavra do Senhor" é utilizada com mais freqüência do que em qualquer outro livro da Bíblia, embora em Ezequiel a expressão ocorra com freqüência semelhante.

A "Palavra" ou o "Sopro" de Deus é o Seu poder criador e dinâmico. No texto de Salmo 33:6, palavra e sopro são encontrados em paralelismo sinônimo. O sopro de Deus é o Seu princípio vital (Gn 2:7). O mesmo se pode dizer de Sua Palavra. Isto é indicado em inúmeras passagens, e na própria terminologia hebraica utilizada, como por exemplo, o termo dabar, muito próximo em significado à ação. Na visão hebraica, "sopro" é sinônimo de vida, poder, e estas são características da Palavra de Deus. O Novo Testamento continua o uso do Antigo Testamento ao empregar o termo grego rhema, como equivalente do hebraico dabar.

5. Todas as formas de comunicação anteriores a Jesus foram indiretas e fragmentárias. Tais formas realmente falaram a respeito do verdadeiro Deus, mas O descreveram como distante e invisível. Elas permitiram apenas um vislumbre. Contatos significativos, mas necessariamente incompletos.

Jesus Cristo, contudo, é Deus encarnado entre nós ("armou a Sua tenda entre nós", seria a tradução literal de João 1:14). Ele é Emanuel, Deus conosco. Jesus não apenas traz uma nova revelação, Ele mesmo é essa revelação. Mais do que nunca, em Jesus, as palavras se tornaram atos: na cruz, temos a demonstração da Sua justiça absoluta e do Seu perfeito amor. Cristo demonstrou Deus de forma plena. Ele é o clímax da revelação.

A mais distintiva idéia quanto à Palavra de Deus ocorre no prólogo do quarto evangelho, em referência a Jesus. Algumas de nossas traduções mantêm o termo logos, do grego, outras utilizam os termos, verbo ou palavra, em referência a Cristo. Quando João nos diz que "no começo era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1:1), ele está fazendo uma referência ao poder criador presente na criação, e presente agora, no início da nova criação. Novamente, através da Palavra, do caos e das trevas em nós, a Palavra de Deus é o instrumento para criar, ordem e luz.

Jesus – Deus entre nós – encarnou todo o poder da Palavra de Deus. Assim como a criação foi resultado da Palavra de Deus, a nova criação, ou a recriação, também é obra da Palavra. Em linguagem bíblica, os cristãos podem apropriadamente falar dos ensinos de Jesus como a Palavra de Deus. (Lc 5:1; Jo 1:43; 5:24; 12:48). Algumas passagens do Novo Testamento usam a expressão Palavra [Verbo] da Vida" (1Jo 1:1; Fl 2:16), em referência tanto a Jesus como à mensagem do Evangelho.

Devemos lembrar ainda que aquilo que o Antigo Testamento fala a respeito da Palavra de Deus (dabar YHWH), o Novo Testamento fala de Cristo. No Antigo Testamento, a Palavra de Deus é luz, alimento, pão, vida, verdade e caminho. No Novo Testamento, Jesus, o Logos, é Luz, o Pão da Vida, a Verdade, o Caminho e Vida. Não é por acaso que há uma absoluta identificação entre Jesus e aquilo que Ele oferece: Ele oferece água, mas Ele é a Água. Ele oferece luz, mas Ele é a Luz, e quem O segue não anda em trevas; Ele oferece vida, mas Ele é a Vida; Ele oferece o pão, mas Ele é o Pão; Ele oferece ressurreição, mas Ele é a Ressurreição etc. Assim, quem O recebe, recebe ao mesmo tempo tudo o que Ele oferece!

6. Deus não está limitado de qualquer forma. Ele é livre para falar diretamente como, quando e com quem Lhe parecer necessário. Contudo, Deus fala primariamente através das Escrituras, a Sua Palavra; do contrário, seríamos vítimas do subjetivismo e da confusão.

Em Seu respeito por aquilo que está escrito, Jesus declarou que as Escrituras se cumprirão, ainda que céu e terra passem. Elas não podem ser anuladas e mesmo o propósito de Sua vinda foi cumprir o que estava escrito dEle (Mt 5:17).

Freqüentemente, ouvimos alguém afirmar que Deus lhe "disse" algo. Embora isto seja possível, permanece o fato de que qualquer revelação presente deverá sempre estar em harmonia com a revelação feita na Palavra. A Palavra de Deus, a Bíblia, continua sendo normativa para a vontade de Deus, e nenhuma contradição seria aceitável.

Escrita há séculos, por pessoas diferentes de nós em vários aspectos, escrevendo em diferentes culturas e línguas, as Escrituras falam a qualquer geração. Nossas necessidades básicas não mudaram e podemos ainda experimentar o Espírito Santo reatualizando e recontextualizando a mensagem bíblica para nossos dias.

Em Seus dias, Jesus utilizou as divisões da Bíblia hebraica: Lei (toda a seção histórica); Salmos (livros de sabedoria, de Jó a Eclesiastes) e Profetas (a seção profética: Profetas maiores e menores), como sendo autoridade válida, mesmo tendo sido escritas mais de mil anos antes. Jesus aceitou o Antigo Testamento sem reservas, como sendo a Palavra de Deus (para discussão detalhada, veja os comentários na segunda lição: "Visão de Cristo das Escrituras")

7. As mensagens proféticas, originalmente comunicadas oralmente a pessoas específicas, ou às suas comunidades, proclamadas em praças públicas, palácios, reuniões solenes, ou nos portões de cidades, foram, posteriormente, por ordem divina, colocadas em forma escrita.

Quais são os benefícios da Palavra escrita?

a) A Palavra Escrita, traz à mente a mensagem original. Por isso, Deus ordenou a Moisés: "Escreve isto para memorial em um livro (Êx 17:14, Cf. Ml 3:16). E muitas gerações depois, tais palavras ainda deviam ser obedecidas.

b) Um livro reúne todas as mensagens recebidas (veja 1Co 10:11).

c) A mensagem escrita atua de forma independente do orador ou escritor (veja o exemplo de Jeremias: Enquanto ele estava na prisão, enviou Baruque com um texto escrito para testemunhar diante dos líderes de Israel, Jr 36:2, 4, 5-13; 14-21).

d) A mensagem escrita se torna universal, indestrutível e quase onipresente. Perseguições podem ser movidas e igrejas fechadas ou destruídas, missionários podem desaparecer, mas as Escrituras permanecem. Em algumas circunstâncias, apenas uma página restou, enterrada como uma semente, por muito tempo, para germinar, então, sem perder nada do seu frescor e poder originais.

e) A revelação escrita torna seus leitores responsáveis para sempre. "Eles têm Moisés e os profetas, ouçam-nos... e se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão ainda que algum dos mortos volte à vida." São estas as imperiosas palavras de Jesus na parábola do rico e Lázaro (Lc 16:29 e 31). Assim, através das Escrituras, pelo milagre da inspiração, Deus não apenas falou num passado remoto, mas continua falando hoje. O Espírito Santo é o grande intérprete, Aquele que torna atual a mensagem das Escrituras.

 


Amin A. Rodor Th.D.
Professor de Teologia no UNASP

 


 

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