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Abraão e Sara: fé testada e provada

Lição 2

Semana de 14 a 21/07/2007


 

Solucionar os problemas por conta própria é uma tentativa humana que permeia a história da humanidade. "Ajudar" a Deus, antecipar-se aos Seus planos ou "melhorá-los" é a experiência de muitas pessoas, desde que a serpente sugeriu que Eva poderia apressar o processo de aprendizado e adquirir novas dotações adaptando as orientações divinas à sua maneira de ver as coisas.

Agar e o esforço próprio

Agar representa as obras resultantes do esforço próprio, do caminho traçado pela inteligência humana, adequando as orientações e preceitos de Deus aos gostos e preferências pessoais. Com que freqüência é repetida em nossos dias a experiência de Eva e Agar! Isto não significa, necessariamente, bater de frente com o que Deus diz. Pode ser apenas dar uma apressadinha ao que é legítimo e correto.

Vivendo na sociedade imediatista de hoje, é muito difícil esperar pelo tempo de Deus. Educados com poucos limites, bombardeados pelo consumismo, jovens e adultos lançam mão antecipadamente da bênção que Deus, no devido tempo, lhes daria, e as transformam em tremendas dores de cabeça e até em maldição.

Outros ainda raciocinam que Deus é amor e, por isso, não levará em conta algumas mudanças em Seus preceitos, adaptados às demandas do século 21 e à moral e ética pós-modernas.

Sara e as obras resultantes da confiança em Deus

Sara representa as obras resultantes da disposição de seguir os preceitos de Deus e confiar plenamente nas Suas orientações. Às vezes, isso envolve abdicar de conclusões óbvias da lógica humana, de costumes culturais, estilos familiares ou contrariar conceitos da sociedade.

Por outro lado, não autoriza a idéia de obter prazer a qualquer custo, em uma época em que a satisfação dos sentidos e da vontade reina quase absolutamente.

Dar um jeitinho, uma especialidade humana

É tão fácil é racionalizar, justificar, arranjar desculpas! Tão acostumadas estão as pessoas a maquiar as realidades! Carros recebem um bom visual para ser vendidos; os produtos recebem uma marca famosa, um rótulo de autenticidade; a pornografia é classificada como arte, e a imoralidade pode receber o nome de orientação sexual. É a tendência natural de adaptar a verdade ao seu jeito.

Todo propósito intencional de ocultar a verdade é mentira. A meia-verdade não é apenas meia mentira, mas uma mentira inteira, e uma mentira "branca" é pecado como qualquer outro.

Quando Abraão e Sara (o seu consentimento a incluiu no erro) se desviaram do caminho da estrita veracidade, deixaram de ser a luz que deveriam ser em meio aos incrédulos. Aqueles que deveriam aconselhar, admoestar e corrigir os pagãos foram por eles repreendidos. Quem deveria ser um modelo de ética e moral foi reprovado por aqueles que eram considerados um perigo à moral e à boa conduta.

Além do mais, essa maneira de agir instalou um padrão de conduta familiar. Isaque mentiu, Jacó e seus filhos, também. "A menos que conscientemente busquemos mudar os padrões que temos aprendido de nossos pais, trataremos os que estão próximos de nós da mesma forma com que fomos tratados". – Una Pisca de Prevención, 139. Quão seriamente devem os pais avaliar os padrões e modelos vividos em casa!

Quando o cristão se desvia da estrita obediência, torna-se ridículo em sua sociedade.

Por procurar "ajeitar" as coisas, Pedro se viu numa situação muito incômoda: nem participava dos gracejos e zombaria dos algozes de Cristo, nem podia chorar pelo sofrimento do Mestre.

"A fim de ocultar o que na verdade sentia, procurou (Pedro) unir-se aos perseguidores de Jesus em seus intempestivos gracejos. Seu aspecto, no entanto, não era natural. Estava representando uma mentira, e conquanto procurasse falar despreocupadamente, não podia suster expressões de indignação ante os abusos acumulados contra o Mestre." – O Desejado de Todas as Nações, p. 712

Ao comentar a abrangência do nono mandamento, Ellen G. White escreve:

"Aqui se inclui todo falar que seja falso a respeito de qualquer assunto, toda tentativa ou intuito de enganar nosso próximo. A intenção de enganar é o que constitui a falsidade. Por um relance de olhos, por um movimento da mão, uma expressão do rosto, pode-se dizer falsidade tão eficazmente como por palavras. Todo exagero intencional, toda sugestão ou insinuação calculada a transmitir uma impressão errônea ou desproporcionada, mesmo a declaração de fatos feita de tal maneira que iluda, é falsidade. Este preceito proíbe todo esforço no sentido de prejudicar a reputação de nosso próximo, pela difamação ou suspeitas ruins, pela calúnia ou intrigas. Mesmo a supressão intencional da verdade, pela qual pode resultar o agravo a outrem, é uma violação do nono mandamento". – Patriarcas e Profetas, p. 309.

Dúvida sincera ou incredulidade instalada?

Quantas vezes o coração humano é traído pela dúvida! "Se tardar, espera-O" não é algo fácil de vivenciar. Embora reprove a dúvida e o riso de descrença, Deus entende as razões humanas para tal. Como um pai que se compadece de seu filho, assim Deus Se compadece daqueles que O amam. Ele conhece nossa estrutura e limitações. Sl 103:13.

Você já duvidou de alguma promessa divina? Já se cansou de orar por um ente querido, desistiu de esperar por uma mudança? Já riu o sorriso amarelo da descrença, da frustração?

Não somente Abraão e Sara o fizeram, mas outros heróis bíblicos, também. Moisés duvidou da possibilidade de dar carne ao povo no deserto. Gideão questionou a Deus quanto à viabilidade de se enfrentar os midianitas. Elias fugiu, esquecendo-se de como Deus o protegera até ali. Tomé queria ver para crer.

Amorosamente, Deus reconduziu estes Seus filhos ao caminho da fé. Parece que Ele faz distinção entre a dúvida sincera, decorrente de freqüentes decepções e da limitada visão humana e a incredulidade instalada, desafiadora, proposital. Enquanto a última impede Deus de agir, a primeira é uma razão a mais para mover o braço onipotente para fortalecer a fé vacilante de Seus filhos.

Tudo pela paz no lar

Quanto sofrimento seria evitado se cada componente da família observasse os grandes estatutos e pequenos detalhes que regem o funcionamento da família! O Criador deixou instruções claras quanto aos princípios do amor bem como às regras do relacionamento familiar. Desde as românticas declarações de Cantares até os detalhes da educação dos filhos.

"A instrução proporcionada a Abraão, no tocante à santidade da relação matrimonial, deve ser uma lição para todos os tempos. Declara que os direitos e a felicidade desta relação devem ser cuidadosamente zelados, mesmo com grande sacrifício. Sara era a única esposa legítima de Abraão. Seus direitos como esposa e mãe, nenhuma outra pessoa tinha a prerrogativa de partilhar. Reverenciava seu marido, e nisto é apresentada no Novo Testamento como um digno exemplo. Mas não queria que as afeições de Abraão fossem dadas a outra; e o Senhor não a reprovou por exigir o banimento de sua rival". – Patriarcas e Profetas, p. 147 (grifo nosso).

As crises têm seu valor

Os anos de espera e exercício da fé, de dúvidas esclarecidas e incredulidades vencidas produziram tamanha confiança que, agora, Abraão podia ver o invisível. Era capaz de crer até na ressurreição de Isaque.

Apesar da tremenda luta mental, não houve nenhum traço de dúvida, incredulidade ou tentativa de resolver o problema por meio de soluções humanas.

A comunhão diária com Deus, através dos anos, capacitou pai e filho para aquele momento tão dramático e ao mesmo templo sublime a ponto de prefigurar a doação de outro Pai e o sacrifício de outro Filho sobre o mesmo monte, quase dois mil anos depois.

A prática religiosa diária não era novidade na família de Abraão. "Isaque tinha freqüentes vezes ido com o pai a adorar em algum dos vários altares que assinalavam suas peregrinações, e esta chamada não lhe provocou surpresa". – Patriarcas e Profetas, p.151 .

Tão importante quanto foi para Abraão, Sara e Isaque a prática religiosa em seu lar, é hoje na experiência de cada família. "Se já houve um tempo em que toda a casa deveria ser uma casa de oração, agora é este tempo". – Orientação da Criança, p. 517.

Apesar da falhas, foi um modelo de família

Em Abraão e sua família se estabeleceu um modelo para as gerações futuras. Infelizmente, eles não foram perfeitos. Porém, o próprio Deus declarou que, em Abraão, seriam benditas todas as famílias da Terra (Gn 12:3). Que fizeram Abraão e Sara para que o Senhor pudesse dizer isso?

Testemunhavam juntos como casal

Abraão e Sara foram uma bênção em Ur dos Caldeus, Harã e depois em Canaã. Quantas famílias se uniram à família deles para servir ao único Deus e Criador! "Durante sua permanência em Harã, tanto Abraão como Sara haviam levado outros à adoração e ao culto do verdadeiro Deus. Estes apegaram-se à casa do patriarca, e o acompanharam à terra da promessa". – Patriarcas e Profetas, p. 127.

Respeitavam-se e sujeitavam-se mutuamente

Dignos de referência eram a devoção e o respeito que Sara tinha por seu marido, a tal ponto que ela é colocada como modelo de esposa (1Pe 3:6). Porém, isso não acontecia por ditadura ou imposição de Abraão (somente uma esposa que ama e é amada, respeitada, ouvida, pode sujeitar-se de modo alegre e feliz).

Por sua vez, Abraão ouvia as sugestões de Sara e supria suas necessidades exclusivas de esposa (Gn 21:10-12). Havia comunicação entre eles. Em um mundo que não valorizava a mulher, ele a tornava humana, digna, única, restaurando a igualdade estabelecida no Éden.

Buscavam a orientação de Deus para solução de seus problemas matrimoniais

Neste aspecto, como em algumas outras ocasiões, eles não foram exemplos perfeitos, mas seu acerto constitui uma lição digna de imitação. Em conseqüência do pecado, eles haviam chegado a um sério impasse matrimonial: ou eu ou ela (Gn 21:10, 11). Abraão consultou a Deus e seguiu Seus conselhos, por mais penoso que lhe fosse. Ambos punham as reivindicações de Deus acima de suas opiniões e preferências.

Transmitiram os preceitos e mandamentos de Deus à geração seguinte

"Eu sei que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele..." (Gn 18:19). Como condição determinante, Deus faz esta declaração dizendo que Suas grandiosas promessas seriam cumpridas por esta razão; e elas o foram. Em sua descendência se formou a família na qual, finalmente, nasceu o Messias, a bênção maior que Abraão e Sara deram à família humana.

Serviram de modelo para o filho

Tanto se fala no "pai da fé" mas não podemos esquecer o "filho da fé". Não apenas Abraão foi provado no Moriá, mas também Isaque. Nele pode-se visualizar a figura de Cristo.

A fé de um pai e, por que não dizer, de uma mãe, foi cuidadosamente transmitida ao filho.

Mas não foi apenas na fé que foram modelo. Do casamento de Isaque diz a Bíblia: "E Isaque levou Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe, e a amou" (Gn 24:67). O terno e amoroso relacionamento de seus pais, vivido então em seu próprio matrimonio, foi digno de menção. A tenda de sua falecida mãe trazia à memória cenas arquivadas, que serviram de modelo para seu grande amor. Isaque e Rebeca, em sua vida conjugal, constituíram o modelo de monogamia vinda do Éden.

Também servem de padrão quanto ao culto familiar. Reunindo sua família estendida ao redor do altar, Abraão diariamente adorava nos diversos lugares de sua morada (Gn 12:7-9).

"Que o pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde, enquanto a esposa e filhos se unem em oração e louvor! Em uma casa tal, Jesus gostará de demorar". – Orientação da Criança, p. 519.

  


Pr. Celso Knoener
Ministério da Família - ASP
Mestre em Relações Familiares


 

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