
Davi e Bate-Seba: Adultério e conseqüências


Semana de 01 a 08 / 09 / 007
Dizem que o diabo é especialista em música. A partir de más intenções ele teria organizado um quarteto capaz de cantar aos ouvidos dos humanos em qualquer língua existente no planeta. A coisa seria mais ou menos assim: a) Primeiro Tenor : “NÃO TEM PERIGO”; b) Segundo Tenor: “SOMENTE MAIS UMA VEZ”; c) Barítono: “TODOS ESTÃO FAZENDO”; d) Baixo: “VENCEREI AMANHÔ. Todos ouviremos essas quatro vozes uma vez ou outra na vida, e nos sentiremos tentados agir de acordo com elas.
Esse é o laço do pecado. Não sabemos quantas vezes Davi olhou para Bate-Seba antes de decidir mandar buscá-la. Na verdade isso não importa. Ele já fez o que não devia. O que precisamos saber é se as vozes diabólicas estão moldando nosso comportamento. As sugestões do “quarteto” têm tanta força porque apelam diretamente às vontades mais íntimas do ser humano: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte.” Tiago 1:14 e 15.
No caso de Davi, uma indução externa estimulou sua lascívia interior. Ele decidiu então satisfazer seus impulsos. Cada atitude na vida obedece a um ciclo de quatro passos: ATENÇÃO, REFLEXÃO, DECISÃO e AÇÃO. Primeiro passo: Uma mulher de beleza fatal chamou a atenção do Rei. E se a atitude dela foi intencional ou não, vou deixar que algum pesquisador mais competente responda. Segundo passo: Ele passou a refletir sobre o assunto. Deve ter imaginado a experiência extraterrestre que seria possuir aquela jóia rara! Certamente também passou pela sua cabeça que haveria conseqüências. Dentre elas a pena de morte prevista para os adúlteros. (Levítico 20:10). Terceiro Passo: Decidiu ter aquela mulher. Quarto passo: Mandou chamá-la e se deitou com ela.
Se há um momento seguro para interrompermos esse processo, talvez seja num instante entre a ATENÇÃO e a REFLEXÃO. Parece que foi nesse intervalo que José venceu a tentação. Se ele sentiu atração pela esposa de Potifar – e parece que foi assim, caso contrário não teria corrido em disparada – só evitou o mal porque decidiu e agiu com rapidez. Pode ser que tenha quebrado o record dos 100 metros rasos de todo o Egito. Mas, o mais importante é que não ofendeu aos seres humanos envolvidos nem pecou contra Deus (veja Gênesis 39:9).
Seja qual for a área na qual você estiver sendo tentado, não se iluda, a satisfação do impulso não fará com que o desejo interior desapareça. Ao contrário, ao pecar o alimentamos fazendo com que ele volte em intensidade ainda maior. “Aquele que cedeu uma vez a tentação, cederá mais facilmente a segunda vez. Cada repetição do pecado diminui seu poder de resistência, cega os seus olhos e suprime a convicção.” Patriarcas e Profetas, pág. 273. É assim que fechamos as portas para o céu e nos tornamos candidatos à morte eterna. Mas, mesmo antes de enfrentá-la, alguma coisa sempre morre nessa vida. Pode ser a família, a fé, o caráter, a reputação, os relacionamentos, a saúde e outras coisas mais.
Na história dessa semana o filho de Davi e Bate-Seba, faleceu. Mas o mal não parou por aí. Dali para frente muita coisa mudaria na vida do rei: “Sua autoridade em sua própria casa, o direito ao respeito e à obediência de seus filhos, enfraqueceram. Uma intuição de sua culpa conservava-o silencioso quando ele teria condenado o pecado; tornava fraco o seu braço para executar justiça em sua casa. Seu mau exemplo exerceu influência sobre seus filhos, e Deus não interviria para impedir o resultado.” Patriarcas e Profetas, pág. 723.
As confusões familiares se desdobram ao longo do tempo. Inocentes sofrem com os culpados. A vida é assim. E não adianta responsabilizar a Deus. Ele avisa, mas nós escolhemos nosso próprio destino e ainda colocamos sobre outros os resultados dessas decisões. Se no começo de toda essa história Bate-Seba ficou empolgada com o fato de ser esposa do Rei, ela deve ter mudado de idéia. Isso é apenas especulação, é claro. Mas sua vida não deve ter sido fácil. Disputou espaço com outras esposas e viu de perto as intrigas, rivalidades e tragédias da família real. Enfrentou até oposição. Ela e Salomão sobreviveram por um fio no caso da traição de Adonias. Apesar de tudo, ao que parece, Bate-Seba e Davi se respeitavam. Quando Adonias tentou ficar com o trono, ela se aproximou do marido segundo os costumes da época exigiam. Foi humilde, submissa e inteligente ao seguir os conselhos de Natã. Ele por sua vez, após decidir anunciar Salomão como próximo rei, fez questão de comunicar a esposa em primeira mão (1 Reis 1:28 a 30).
CONCLUSÃO
Deus é capaz de lidar com situações desastrosas adequando tudo aos Seus propósitos. Salomão, fruto de um adultério, foi um grande Rei. Teve suas dificuldades, mas deixou uma tremenda contribuição para os leitores da bíblia. O Comentário Bíblico Adventista (vol. 3, pág. 1058) sugere que ele teria escrito Cantares na época em que estava vivendo seu primeiro amor por Deus. Provérbios deve ter vindo em uma fase posterior, mais madura. E, finalmente, a composição de Eclesiastes possivelmente foi feita nos dias finais de sua vida, quando amargurava um arrependimento terrível pelo passado pecaminoso que não podia ser apagado.
Percebemos que não há limites para a graça de Deus. Um dia Pedro se aproximou de Cristo perguntando quantas vezes deveria perdoar aqueles que pecam contra nós. Em resposta Jesus ensina que devemos perdoar sempre. Caso contrário, não podemos contar com o perdão divino (Mateus 18:21 a 35). É estranho que Ele nos peça algo que não esteja disposto a fazer. Então, entende-se que O Criador não se cansa de nos absolver. Para isso basta o pecador estar arrependido, confessar e deixar o pecado. (Provérbios 28:13; I João 1:9). Mas, não se esqueça: a prática do mal não compensa. Com toda certeza vai deixar marcas profundas em sua vida. E talvez na existência de outros, às vezes inocentes. Seja vitorioso(a). Vale a pena.
Denis Konrado
Fehlauer
Pastoral Universitária
UNASP Campus SP
denis.fehlauer@unasp.edu.br
deniskonrado@gmail.com
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