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Dotado para o serviço: Felipe

Lição 12

013 a 20/08/2008


INTRODUÇÃO

 O desenvolvimento do ministério de Filipe é uma inspiração. A tarefa que os apóstolos não quiseram realizar, a fim de não deixarem de lado a pregação, foi confiada a ele e aos demais diáconos. Poderemos perceber, no decorrer do estudo de sua história, uma clara progressão da utilidade de Filipe e um perceptível desenvolvimento dos dons daquele que realizou essa tarefa aparentemente simples com dedicação total.

“Assim, a obra da graça no coração é pequena ao princípio. É dita uma palavra, um raio de luz projetado na mente, exercida um influência que é o início de uma nova vida; e quem pode medir os resultados?” (Ellen White, Parábolas de Jesus, p. 78).

I - Chamado para o serviço

Ao contemplarmos a vida de Filipe, vemos um homem com boa reputação, respeitável, fiel, temperante e cheio do Espírito. A igreja primitiva seguia em passos semelhantes, louvando a Deus com alegria e com desprendimento de seus bens materiais, unânime em oração e serviço. No entanto, devido ao seu rápido crescimento, havia a necessidade de delegar responsabilidades.

 O chamado de Deus para o serviço envolve desprendimento dos interesses pessoais e submissão à Sua soberana vontade.

“Não deve haver negligência ou pouca valorização dos humildes deveres cotidianos. A genuína conversão a Deus agirá como fermento em cada fase do dever nos relacionamentos da vida. Então, se o Senhor nos vê fiéis no pouco, diligentes e perseverantes no uso de nossas fa­culdades físicas, fazendo com nossas mãos aquilo que alguém precisa fazer, dirá: ‘Senta-te mais para cima. Podes ser in­cumbido de maiores responsabilidades’” (Ellen White, Cristo Triunfante, MM 2002, p. 169).

Se cada cristão possuísse a convicção de que a obediência ao chamado de Deus começa no ­cumprimento fiel das pequenas responsabilidades, não restaria espaço para contendas.

II – Missionário em Samaria

As palavras de Cristo mencionadas em Atos 1:8: “Ser-Me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da Terra”, foram compreendidas mais amplamente pelos discípulos após a grande perseguição levantada contra a igreja em Jerusalém, a qual levou seus membros dispersos a pregar a Palavra em toda a parte.

Filipe e seus companheiros passaram por momentos de difi­culdade, abandonando em Jerusalém casas e conforto, para enfrentar momentos de tensão. No entanto, não deixaram de anunciar Cristo às multidões que, unânimes, atendiam às coisas que eles diziam e, assim, a mensagem da salvação não mais ficou restrita ao povo escolhido, mas foi dada ao mundo.

Sobre o trabalho de Filipe e dos demais diáconos, Ellen White comenta que “compenetraram-se da responsabilidade de sua missão. Sabiam ter nas mãos o pão da vida para um mundo faminto; e eram constrangidos pelo amor de Cristo a distribuir esse pão a todos os que estivessem em necessidade. O Senhor operava por meio deles. Aonde quer que iam, os doentes eram ­curados e aos pobres se pregava o evangelho” (Atos dos Apóstolos, p.106).
 No momento em que formos conscientes da responsabilidade e missão e sairmos constrangidos pelo amor de Cristo, seremos bem-sucedidos em nossos esforços.

III – Oportunidade para o testemunho

Devemos perceber que Filipe começou seu contato missionário com o etíope devido ao seu interesse sobre as profecias messiânicas de Isaías. Estabelecer pontos de contato é um trabalho ao qual todo pregador deve se dedicar. Com muita propriedade, o servo de Deus pode ser comparado a um construtor de pontes.

Donald Mcgavran, o pai dos estudos sobre crescimento de igrejas, diz: “Toda a sociedade humana é como uma cidadezinha ao lado de um rio sobre o qual, em lugares convenientes, pontes foram construídas. Os habitantes podem atravessar o rio em outros lugares, mas é muito mais fácil atravessá-lo por sobre as pontes. As pessoas próximas às pontes estão melhor conectadas do que aquelas que estão longe delas. Idéias, alimentos, desfiles e convicções fluem melhor para lá e para cá através das pontes” (Compreendendo o Crescimento da Igreja, p. 357).

Essas pontes são verdadeiras oportunidades para a pregação do evangelho, tendo em vista que nos aproximam. Existem vários tipos de pontes: a amizade, a mensagem de saúde, o serviço social, etc. Em O Desenvolvimento Natural da Igreja, Christian Schwarz, diz que a evangelização orientada para as necessidades é uma das oito marcas de qualidade das igrejas que crescem.

As pontes que já estão erguidas não são suficientes para permitir a pregação do evangelho à totalidade das pessoas. Muitas outras pontes precisam ainda ser construídas para que a pregação do evangelho seja levada a todo o mundo.

IV – Dotado para o serviço

 Por ocasião da escolha de Filipe como um dos sete diáconos, a igreja estava clamando para que os apóstolos dessem mais atenção à distribuição dos alimentos às viúvas. Os apóstolos consideraram desnecessário deixar a pregação da palavra para se dedicarem àquela tarefa. Para tal, escolheram sete homens, entre eles, Filipe.

Filipe tinha o dom do serviço. Um dom de bastidores, mas, indispensável para o avanço do evangelho. Na obra de Deus, anônimo não é sinônimo de desnecessário.

A parábola dos talentos (Mt 25:14-30) fala que o ser humano tem a tendência natural de desconsiderar tarefas aparentemente simples e de valorizar aquelas que são mais percebidas. Veja que na parábola, o que tinha um talento o menosprezou e o escondeu.

“Ninguém pode saber qual haja de ser o propósito de Deus em Sua disciplina; mas todos podem estar certos de que a fidelidade nas pequenas coisas é a evidência do preparo para maiores responsabilidades. Cada ato da vida é uma revelação do caráter, e somente aquele que nos menores deveres se mostre ´obreiro que não tem do que se envergonhar´..., será honrado por Deus com encargos de mais responsabilidades” (Educação, p. 61).

Na prática do seu dom, Filipe foi dotado por Deus de outros dons (At 8:4-8). “... À medida que cristãos vivem de acordo com seus dons espirituais, eles não trabalham pelas próprias forças, mas o Espírito de Deus trabalha neles. Assim, pessoas bem normais podem efetuar tarefas bem especiais” (Christian Schwarz, O Desenvolvimento Natural da Igreja, p. 24).

V – Filipe e Simão, o Mago

Com o rápido avanço da igreja, muitas situações novas foram surgindo. A situação de Simão, o mago, foi uma delas. Diante desses novos desafios, a igreja precisava de apoio mútuo organizado e companheirismo.

 “Os ensinamentos sobre os dons espirituais enfatizam o valor e as contribuições de cada indivíduo; e, lembrando que, em nossa época, somos constantemente considerados como um a mais no meio da massa, é imperativo que mantenhamos esta ênfase.”

 “...Sendo que existe uma variedade de dons espirituais, cada membro necessita do outro para o estímulo mútuo, comunhão, crescimento e serviço” (Juan Carlos Miranda, Manual de Crescimento da Igreja, p. 107).

 Como na multidão de conselheiros há sabedoria, Pedro e João estavam ali para prestar auxílio indispensável a Filipe, que, apesar de ter crescido nos dons, ainda tinha suas limitações e continuava sendo parte do corpo e não sendo o próprio corpo.

Conclusão

“Não há limites à utilidade dos que põem de lado o próprio eu, dão lugar à operação do Espírito Santo em seu coração e vivem uma existência de inteira consagração a Deus” (Ellen White, Serviço Cristão, p. 254).

Devemos estar dispostos a realizar a vontade de Deus, assim como Filipe, independentemente do local geográfico e da responsabilidade que Ele confiou às nossas mãos.

  


Pr. José Júnior
 Presidente - Missão Nordeste
Pr. Emerson de Freitas
MIPES – Missão Nordeste
Pr. Rodrigo Conrado
 Publicações – Missão Nordeste


 

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