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Crise cósmica: Ruptura da ordem universal

Lição 2

04 a 11/10/2008
 


 

Introdução

Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste”. – Cl. 1:17

Como a palavra expressa de Lúcifer desafiou a integridade do caráter de Deus em seu trato com as Suas criaturas, tornou-se necessária uma demonstração inequívoca e final, da parte de Deus, para vindicar o Seu caráter. Por esta razão, Lúcifer e seus anjos não foram destruídos imediatamente, mas foram expulsos do lugar, no universo, onde está o trono de Deus; foram expulsos do acesso aos mundos já habitados por criaturas de Deus e que rejeitaram as idéias de Lúcifer; e foram confinados ao planeta Terra, quando este ainda não havia sido tornado habitável para o homem.

Todavia, como o universo criado por Deus, forma um grande Reino indiviso, a permanência de rebeldes ao Reino de justiça, amor e santidade, mesmo confinados, é impossível. Assim, quando o caráter de Deus e o caráter de Lúcifer estiverem plenamente evidenciados perante todo o universo, Lúcifer e seus anjos serão aniquilados. Aniquiladas também serão as idéias de pecado que foram semeadas contra o governo de Deus.

Este é o grande conflito cósmico e o seu desfecho final descrito por João em seu livro de revelações – Apocalipse. Este conflito teve início bem antes da queda de Adão e Eva. O problema do pecado não se limita ao nosso mundo e aos seus habitantes, mas envolveu todo o universo. A solução do problema do pecado não se limita à salvação do homem caído, mas envolve a vindicação justa do justo caráter de Deus e a condenação justa do pecaminoso caráter de Satanás.

A justiça de Deus é manifesta na condenação do pecado e pecadores impenitentes e rebeldes. A justiça de Deus é manifesta no amor perdoador e na justificação de pecadores que aceitam a justiça substituta de Cristo

Pense: “Mas o plano da redenção tinha um propósito mais vasto e profundo do que a salvação do homem. Não foi para isso apenas que Cristo veio à Terra; não foi simplesmente para que os habitantes deste pequeno mundo pudessem considerar a lei de Deus como devia ser considerada; mas foi para reivindicar o caráter de Deus perante o universo”. - PP. pág. 64.

Desafio: “Quem não te temerá, ó Senhor? Quem não glorificará o teu nome? Pois tu somente és santo. Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos’”. – Apoc. 15:4 – NVI.

 

Pecado: sua origem

Analisando o pensamento do profeta Ezequiel, do capítulo 28:15-18, compreende-se que o pecado é um ato que apresenta várias características muito significativas e esclarecedoras em relação a origem do pecado.

Iniqüidade: “... até que se achou a iniqüidade em ti”. - Iniqüidade é o oposto de eqüidade. Eqüidade é o estado de harmonia com a pessoa de Deus. Iniqüidade é o estado de desarmonia pela contestação da autoridade de Deus.

Violência: “ ... se encheu o teu interior de violência, e pecaste”. - v. 16. Violência sempre traz o sentido de espírito de rebelião, de oposição à autoridade constituída.

Orgulho: “Elevou-se o teu coração”. Orgulho é a característica que transmite a idéia de auto-suficiência e espírito de independência.

Injustiça: “Pela injustiça do teu comércio...”. A injustiça traz a marca da sutileza, apresentando a idéia de que no Universo tudo é relativo, não existindo nada perfeito.

Corrupção: “Corrompeste a tua sabedoria”. Corrupção é a atitude consciente e ousada em degradar, destruir a integridade de valores estabelecidos.

Todas estas características contrárias à natureza divina, nasceram e foram desenvolvidas na mente de um ser criado perfeito - Lúcifer. Com o tempo transformaram-se em atitudes e culminaram em pecado – “e pecaste”. Como um ser criado perfeito deu origem ao pecado? O profeta Isaias exclama com assombro: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!” - Is. 14:12. Não há explicação racional para o surgimento do pecado. Como entender que um ser perfeito, na presença de um Deus perfeito, em um ambiente de perfeição, pudesse gerar idéias de descontentamento, contestação, rebelião e pecar contra o seu Criador perfeito?

Pense: “Tua conduta foi perfeita desde o dia de tua criação, até que se descobriu em ti a perversidade”. – Ez. 28:15 – TEB.

Desafio: “Todo aquele que pratica o pecado, também transgride a lei: porque o pecado é a transgressão da lei”. I João 3:4 – ARA.

 

Ataque contra Deus

“Desde o princípio a grande controvérsia fora a respeito da lei de Deus. Satanás procurara provar que Deus era injusto, que Sua lei era defeituosa, e que o bem do universo exigia que ela fosse mudada. Atacando a lei, visava ele subverter a autoridade de seu Autor. Mostrar-se-ia no conflito se os estatutos divinos eram deficientes e passíveis de mudança, ou perfeitos e imutáveis”. – PP. pág. 65.

O caráter de Deus foi acusado por Lúcifer, mais tarde Satanás, o acusador, como injusto e despótico. A Sua lei foi atacada como instrumento de despotismo e crueldade. O caráter de Deus e a felicidade do universo foram abalados com esta proclamação de Lúcifer. O caráter de Deus foi desafiado e colocado em julgamento. Uma resposta adequada teria de ser dada para vindicar o Seu caráter desta acusação e livrar o universo da anarquia e desordem.

Foi no sacrifício de Jesus sobre a cruz que esta demonstração foi plena e inquestionável. Sobre a cruz “Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram”. – Salmo 85:10 – ARA.

Por mais paradoxal que possa parecer, é na justiça que Deus revela a grandeza de Seu amor e de Sua graça. A justiça condena e pede a execução da sentença. Deus executa a sentença da justiça em Si mesmo, na pessoa de Cristo e oferece graça por amor. Ele assim pode atuar porque Ele é. Ele é justiça, Ele é amor.

No capítulo 19 de Apocalipse, que relata o triunfo de Cristo no grande conflito, João coloca em destaque que “nos céus… uma grande multidão” exaltará a justiça, o amor e a graça de Deus. – Vs. 1 – NVI.

Pense: “Cristo diz: ‘Todos os que me aborrecem amam a morte’. Deus lhes dá existência por algum tempo, afim de poderem desenvolver seu caráter e revelar seus princípios. Feito isso, receberão os resultados de sua própria escolha. Por uma vida de rebelião, Satanás e todos quantos a ele se unem colocam-se em tamanha desarmonia com Deus, que Sua própria presença lhes é um fogo consumidor. A glória daquele que é amor os destruirá”. – DTN. pág. 570.

Desafio: ”Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida”. – João 5:24 – NVI.

 

O Pecado e a Lei De Deus

A Tradução Ecumênica da Bíblia em Ezequiel 28:18, verte uma frase importante nestas palavras: “profanaste o teu santuário”. Profanação é assumir a atitude de que não existe nada distintivo, mas que tudo é igual e tem o mesmo valor. Não existem razões para se estabelecer diferenças entre uma e outra questão. Tudo depende de como você avalia e aceita leis, princípios, valores e estilo de conduta. Este critério de avaliação é muito sutil. Profanar a verdade não é contrapor o erro ou a mentira declarada à verdade, mas é misturar a mentira com a verdade, a injustiça com a justiça, o profano com o santo, corromper a integridade e a santidade da lei de Deus, porque afinal tudo está certo.

Ensina a Escritura que o nosso corpo é o santuário do Espírito Santo. Lúcifer profanou o seu santuário rejeitando a habitação do Espírito Santo e Sua liderança. O Espírito Santo implanta e conduz as pessoas na verdade comunicando os princípios da lei de Deus. Profanamos o nosso santuário quando recusamos ouvir a voz do Espírito Santo ensinando a verdade.

Em verdade, a rejeição da lei moral como norma de conduta é a conseqüência inevitável da rejeição de Deus como o grande Amigo, Pai e Criador. Transgredir ou quebrar a lei moral, significa que primeiro foi rompida a relação de amizade com Deus, porque a lei moral é a expressão do caráter de Deus. O rompimento desta relação de amor é que termina em pecado. Pecado é a determinação consciente de separar-se de Deus e opor-se aos Seus princípios de conduta. Pecado é assumir a posição contra Deus e Seu modo de governo. O pecado é cometido contra a Pessoa de Deus. A lei moral é o instrumento que acusa e coloca em evidência esta atitude.

Pense: “Ao princípio do grande conflito, os anjos não entendiam isso. Houvesse sido deixado que Satanás e seus anjos colhessem os plenos frutos de seu pecado, e teriam perecido; mas não se patentearia aos seres celestiais ser isso o inevitável resultado do pecado. Uma dúvida acerca da bondade divina haveria permanecido em seu espírito, qual ruim semente, para produzir seu mortal fruto de pecado e miséria. Não será, porém, assim, ao findar o grande conflito. Então, havendo-se completado o plano da redenção, o caráter de Deus é revelado a todos os seres inteligentes. Os preceitos de sua lei são vistos como perfeitos e imutáveis. Então, o pecado terá patenteado sua natureza, Satanás o seu caráter. Então o extermínio do pecado reivindicará o amor de Deus, e estabelecerá a Sua honra perante um universo de seres que se deleitam em fazer a Sua vontade, e em cujo coração está a Sua lei”. – DTN. pág. 570.

Desafio: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos”. – João 14:15 – NVI.

 

Pecado e rebelião

“Corrompeste a tua sabedoria”. Corrupção é a atitude consciente e ousada em degradar, destruir a integridade de valores estabelecidos e aceitos como corretos e justos e adotar conduta contrária e ostensiva contra os mesmos.

Portanto, pecado, como a Escritura o apresenta, é uma atitude de rebelião e rompimento do relacionamento harmonioso, amoroso e perfeito com uma Pessoa amorosa e perfeita. Em primeira instância, pecado é contra uma Pessoa e não contra a lei, no caso a lei moral. O pecado de Lúcifer nasceu da contestação do amor e da justiça de Deus. Começou a alimentar a idéia de que Deus não era nem amoroso nem justo com as Suas criaturas. A idéia alimentada gerou um ato que foi caracterizado por uma posição ostensiva de rebelião contra Deus. A lei moral acusou este ato de rebelião contra Deus e evidenciou o pecado. Por conseqüência natural, o pecado contra Deus é a transgressão da lei moral. Porque o caráter de Deus é o documento sobre o qual se estabelece a relação de amor, intimidade, harmonia e lealdade para com Deus. A lei moral é a transcrição desse documento.

A Versão da Imprensa Bíblica Brasileira traduz o texto de I João 3:4 nestas palavras: “Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o pecado é rebeldia”. A idéia de pecado como um ato de rebelião contra a Pessoa de Deus, torna-se muito clara. “Todo aquele que pratica o pecado”, (ARA), que se revolta contra o seu Criador e rompe o relacionamento de harmonia e amor com Ele, “também transgride a lei”. (ARA). Portanto, assumida a rebelião e rompido o relacionamento, é praticado o pecado.

Pense: “Para este resultado de Seu grande sacrifício, ou seja, a influência do mesmo sobre os entes de outros mundos, bem como sobre o homem, olhou antecipadamente o Salvador quando precisamente antes de Sua crucifixão disse: ‘Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. E Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a Mim’. S. João 12:31 e 32. O ato de Cristo ao morrer pela salvação do homem, não somente tornaria o céu acessível à humanidade, mas perante todo o universo justificaria a Deus e a Seu Filho, em Seu trato com a rebelião de Satanás. Estabeleceria a perpetuidade da lei de Deus, e revelaria a natureza e os resultados do pecado”. - PP. pág. 64.

Desafio: “Bem podiam, pois, os anjos se regozijar ao contemplarem a cruz do Salvador; pois embora não compreendessem ainda tudo, sabiam que a redenção do homem era certa e que o universo estava para sempre a salvo. O próprio Cristo compreendeu plenamente os resultados do sacrifício feito no Calvário. A tudo isso olhava Ele quando exclamou na cruz: ‘Está consumado’”. – DTN. pág. 570.

 

Guerra no Céu

Relata João em seu livro de revelações sobre o grande conflito cósmico: “Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão,... O grande dragão foi lançado fora. ... Ele está cheio de fúria, pois sabe que lhe resta pouco tempo”. – Apoc. 12:7-12 – NVI.

Por que houve guerra nos céus? Não é o Céu um lugar de perfeita harmonia, amor e felicidade? O que as Escrituras ensinam sobre esta guerra e a sua razão?

Deus, ao criar seres inteligentes, à Sua semelhança, dotou-os com o direito à liberdade de escolha. Deus correu o risco de ver criaturas Suas rebelarem-se contra Ele.

A respeito da criação de Lúcifer declara o profeta Ezequiel: “Perfeito eras nos teus caminhos,... - Ez. 28:15. Lúcifer, desde que foi criado vivia em harmonia com o padrão da justiça, o caráter de Deus, até que pecou. Lúcifer questionou e contestou esta norma e rebelou-se contra o seu Deus e Criador. Como resultado desta rebelião surgiram a injustiça e o pecado no Universo. “Pela injustiça do teu comércio, ... se encheu o teu interior de violência, e pecaste” - Ez. 28:18 e 16 - ARA. Acusar o justo caráter de Deus, lançar dúvidas sobre a Sua integridade, comunicando idéias de injustiça contra Deus, foi a mercadoria comercializada por Lúcifer.

Este é o grande conflito cósmico, pois teve início no Céu, bem antes da queda de Adão e Eva. O problema do pecado não se limita ao nosso mundo e aos seus habitantes, mas envolveu todo o universo. A solução do problema do pecado não se limita à salvação do homem caído, mas envolve a vindicação justa do justo caráter de Deus e a condenação justa do pecaminoso caráter de Satanás.

Pense: “Lúcifer concluiu que, se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar todos os mundos Tinha ele artificiosamente apresentado a questão sob o seu ponto de vista, empregando sofisma e fraude, a fim de conseguir seus objetivos. Seu poder para enganar era muito grande”. – PP. Pág. 23.

Desafio: “Pois verdadeiros e justos são os teus juízos… Ele julga e guerreia com justiça”. – Ap. 19:2 e 11 – NVI.

 

Estudo adicional

Evidenciados a justiça do caráter de Deus e a pecaminosidade do caráter de Satanás e dos anjos rebeldes, é feita a proclamação pelo universo e para o universo: “Tu és justo, tu, ó Santo, que és e que eras, porque julgaste estas coisas”. Apoc. 16:5 – NVI.

O reconhecimento da justiça de Deus é fundamental para vindicar o Seu caráter perante o universo. A insultuosa acusação de Lúcifer precisa de uma demonstração cabal da justiça de Deus. “O que projetais vós contra o Senhor? Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angustia”. – Naum 1:9 - AC.

A possibilidade de uma segunda rebelião no universo de Deus, é totalmente aniquilada pelo reconhecimento universal de Sua justiça e de Seu caráter justo. “Todas as nações virão à tua presença e te adorarão, pois os teus atos de justiça se tornaram manifestos’”. – Apoc. 15:3 e 4 – NVI.

O que está envolvido na justiça de Deus? É apenas a Sua condenação ao pecador que transgrediu a Sua lei? Se a justiça de Deus apresentasse apenas esta característica, Ele teria condenado e destruído Lúcifer e os que a ele se uniram, em um momento. O dom da vida foi por Ele conferido às Suas criaturas. Dele emana vida eterna. Retendo o fôlego de vida, tudo perece. “Em sua mão está a vida de cada criatura e o fôlego de toda a humanidade”. – Jó 12:10 – NVI.

Não foi assim que Deus agiu. Foi concedido um longo período de desenvolvimento e maturação dos atos reclamados como mais justos e perfeitos, para evidenciar-se sem sombra de dúvida, quem é verdadeiramente justo e com justiça lida com as Suas criaturas.

Ao final do grande conflito, a revelação e a resposta dAquele que é, terá sido dada com tal poder, que nenhuma dúvida permanecerá.

Pense: PENSE – “Quando Cristo veio ao nosso mundo sob a forma humana, todos estavam profundamente interessados em acompanhá-Lo, ao percorrer Ele, passo a passo, a vereda ensangüentada a partir da manjedoura ao Calvário. O Céu observou o insulto e zombaria que Ele recebeu, e sabia que isso foi por instigação de Satanás. Notaram a operação das forças contrárias a avançar, impelindo Satanás constantemente trevas, tristezas e sofrimento sobre a raça, e estando Cristo a reagir com isso. Observaram a batalha entre a luz e as trevas, enquanto a mesma se tornava mais forte. E ao clamar Cristo em Sua aflição mortal sobre a cruz: ‘Está consumado’, um brado de triunfo repercutiu por todos os mundos, e pelo próprio Céu”. – PP. pág. 65.

Desafio: “Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus”. – Ap. 19:1 – NVI.


Pr. Albino Marks
Especialista em aconselhamento familiar e profundo estudioso da Bíblia, o pastor Albino Marks já atuou como preceptor (IAP, IACS, IAE-SP); capelão (IACS e Hospital do Pênfigo); diretor geral do IAP; departamental em várias associações e na UCB.


 

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