O dom profético

Lição 2

03 a 10/01/2009


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I. A identidade do profeta

A introdução do Evangelho de João apresenta sucintamente a pessoa e a missão de João Batista. “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz” (Jo 1:6-8). Essas palavras inspiradas são adequadas para descrever a realidade humana e a vocação divina de um profeta. Fica evidente que o verdadeiro profeta é chamado e enviado por Deus. Sua missão divina é a de ser o porta-voz de ­Deus perante os homens. Portanto, seu testemunho não está centrado em si mesmo, mas naquele que o enviou. Ao fim de seu ministério, Moisés entendia que ­Deus continuaria conduzindo Israel por meio do dom de profecia. Disse o profeta ao povo: “O Senhor, teu ­Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” [...]. Porei as Minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que Eu lhe ordenar.” (Dt 18:15, 18). É evidente que ­Deus suscita o profeta e põe Suas palavras em seus lábios. Algo similar se poderia dizer de Davi, que afirmou: “O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a Sua palavra está na minha língua” (2Sm 23:2).

Entretanto, os profetas continuavam sendo homens, com as fraquezas e imperfeições próprias da humanidade. João Batista ainda era “um homem” quando Deus o enviou. Foi testemunha da chegada do Messias prometido e dirigiu a atenção de seus ouvintes à figura do Redentor. Mas quando sua mensagem ousada o levou à prisão, cedeu diante da incerteza: “És Tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11:3). Moisés liderou o êxodo e a peregrinação de seu povo em nome do Senhor, mas deixou de honrar a ­Deus diante da terra prometida (Nm 20:7-13). Os profetas que o sucederiam não seriam superiores a ele, e ­Deus os chamaria “do meio de seus irmãos”. O mesmo Davi, que disse: “A Rocha de Israel a mim me falou” (2Sm 23:3), precisou ser repreendido em mais de uma ocasião por causa de seus pecados. Tiago afirma com simplicidade que “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos” (Tg 5:17).

Como porta-voz do Céu, o profeta leva a mensagem que provém do alto. Seu ministério mostra evidências claras da origem de seu chamado. Contudo, não está livre das limitações de sua realidade humana. Quem procurar um profeta perfeito ficará sem ele. Quem rejeitar a instrução do Céu pelas imperfeições do mensageiro, deixará de ouvir o que Deus quis dizer por intermédio de instrumentos humanos.

I. A singularidade do profeta

O profetas têm em comum algumas poucas coisas essenciais. Sem dúvida, há entre os profetas mencionados no registro bíblico uma variedade e diversidade assombrosa.

Os profetas viveram em tempos e lugares muito diferentes. Fala-se de profetas nas diversas etapas da história narrada nas Escrituras. No período patriarcal, deve-se mencionar Enoque (Jd 14), que viveu antes do Dilúvio, e Abraão (Gn 20:7), chamado por ­Deus no sé­culo 19 a.C. Do período do êxodo (séc. 15 a.C.) deve-se recordar especialmente Moisés. O período dos juízes se inicia com a morte de Josué e se estende aos tempos de Samuel. A monarquia começa com os reinados de Saul, Davi e Salomão (séc. 11 e 10 a.C.), e se divide no reino de Israel do norte (desde Jeroboão até Oseias) e de Judá (desde Roboão a Zedequias). Durante o reino unido, viveram profetas como Gade e Natã. Asafe, Hemã e Etã foram contemporâneos de Davi. Ao longo do reino dividido se sucederam profetas como Jonas, Amós, Oseias, Miqueias, Isaías, Naum, Haba­cuque, Sofonias e Joel. Segue-se o período do cativeiro e o período pós exílico. Durante o cativeiro babilônico, atuaram grandes profetas como Jeremias, Ezequiel e Daniel. Desse mesmo tempo seja provavelmente Obadias. Logo depois do exílio se destacaram profetas como Ageu, Zacarias, Esdras, Neemias e Malaquias. O Novo Testamento alcança o período evangélico e a era apostólica. Pouco mais de 30 profetas poderiam ser identificados como autores dos livros do Antigo Testamento e oito profetas escreveram o Novo Testamento (Paulo, Tiago, Marcos, Mateus, Lucas, Judas, Pedro e João). Ao longo desses sé­culos de revelação bíblica, o poder político foi passando do Egito para a Assíria, de Babilônia à Pérsia e da Grécia a Roma. Entre o primeiro e o último dos livros da Bíblia se estende um período que supera os mil anos. Os livros do Novo Testamento foram escritos na segunda metade do primeiro sé­culo da era cristã. Ao se completar o conjunto de livros que compõem as Escrituras, haviam passado mais de quinze séculos e um total que supera os 40 autores.

O perfil cultural e o ambiente social dos profetas não poderiam ser mais contrastantes. Moisés descendia da tribo de Leví, nasceu no Egito e foi criado como filho adotivo de uma princesa (talvez Hatshepsut, filha do faraó Tutmosis I). Veja Hebreus 11:23-29. Josué liderou a entrada de Israel em Canaã; Débora foi juíza em Israel. Samuel provinha da família sacerdotal e foi o último dos juízes. Natã e Gade se moveram na corte de Jerusalém como videntes e conselheiros. Davi foi poeta, músico, guerreiro e rei. Entre os profetas houve cantores e músicos como Asafe e Hemã. Salomão foi rei, sábio e construtor. Amós foi pastor de ovelhas e boiadeiro. Isaías e Sofonias talvez tivessem conexões com a realeza. Jeremias, Ezequiel, Zacarias e João Batista eram descendentes de sacerdotes. Daniel provinha de uma família real de Judá e atuou na corte dos reis de Babilônia e da Pérsia. Esdras foi sacerdote e escriba. Neemias foi funcionário da corte da Pérsia. Paulo conhecia as culturas grega e romana, além de ter sido um fariseu erudito. Tiago e Judas eram “irmãos do Senhor” (Mt 13:55; Mc 6:3; Gl 1:19). Mateus havia sido um enriquecido coletor de impostos. Lucas era médico de origem grega. Pedro e João haviam sido pescadores.

Houve profetas verbais, que não deixaram mensagens escritas e houve profetas literários. Entre eles houve profetas que, pela extensão de seus escritos, são considerados maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e profetas que, pela brevidade de suas profecias, são chamados de menores (menores em quantidade, mas não na qualidade nem na inspiração de seus escritos). Os profetas também respondiam ao chamado divino em diferentes etapas de sua vida. Moisés havia passado 40 anos no Egito e esteve durante quatro décadas empenhado no cuidado das ovelhas quando Deus o enviou para libertar Israel. Samuel (1 Samuel 3) e Jeremias (Jeremias 1:6) eram pequenos quando foram convocados para o ministério profético. Ageu, por sua vez, escreveu suas profecias na velhice.

Em certa medida, cada profeta foi único. Não houve dois que foram iguais, embora falassem sobre temas semelhantes. Os igualava a certeza da origem divina de sua vocação e a convicção de que o Céu lhes havia legado uma mensagem de importância para transmitir aos homens. Todos os profetas foram chamados para o ­cumprimento de uma missão (Am 2:11; Is 6:1; Jr 1:4-5; Ez 1:1, 2). O profeta aceitava o convite divino, às vezes contra seu desejo, como ocorreu com Moisés (Êx 3 e 4), Jeremias (Jr 20:7-9) ou Jonas. “Porque nunca, jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21).

III. Profetas e profetisas

A escolha de um profeta é um ato soberano da vontade divina. Os homens não se preparam para ser profetas, nem solicitam essa responsabilidade. O profeta passa a executar esse ofício por decisão de Deus. Na hora de escolher, o testemunho bíblico é claro ao nos informar do chamado a meninos e anciãos, eruditos e homens comuns, homens e mulheres.

A primeira mulher chamada profetisa foi Miriã, irmã de Aarão e Moisés. Não temos muita informação sobre a maneira em que ela exerceu essa função, mas ao menos em uma ocasião dirigiu as mulheres em una celebração coletiva pela travessia do Mar Vermelho. “A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. E Miriã lhes respondia: Cantai ao Senhor, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êx 15:20, 21). Por meio de Miqueias, Deus disse a Israel muito tempo depois: “Pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e enviei adiante de ti Moisés, Arão e Miriã” (Mq 6:4).

Débora (séc. 13 a.C.) foi juíza de Israel e liderou a luta contra os cananeus opressores. “Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo” (Jz 4:4, 5). Em seu cântico de triunfo, disse a profetisa: “Ficaram desertas as aldeias em Israel, repousaram, até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe em Israel” (Jz 5:7).

Nos tempos notáveis do bom rei Josias, aparece a prestigiosa figura da profetisa Hulda. Depois do encontro do livro da lei, o humilhado rei desejou consultar a ­Deus. Diz o relato: “Ide e consultai o Senhor por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou”. Então, foram “ter com a profetisa Hulda, mulher de Salum [...] Ela habitava na cidade baixa de Jerusalém. Ela lhes disse: Assim diz o Senhor” (2Rs 22:13-16). A partir de então, o rei reuniu os anciãos e começou sua obra de reforma entre o povo de Judá. Isaías faz um comentário um tanto enigmático ao chamar sua esposa de “profetisa” (Is 8:3).

Já no Novo Testamento se destaca a figura admirável de Ana. “Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que se casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2:36-38).

“Felipe o evangelista”, que vivia em Cesareia, tinha quatro filhas que exerciam a função profética. “Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam” (At 21:9). A profecia de Joel antecipava também que o Espírito de ­Deus convocaria pessoas de diferentes idades, sexo e posição social. “E acontecerá, depois, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o Meu Espírito naqueles dias” (Jl 2:28, 29).

Diz Herbert E. Douglass: “A descrição bíblica do sistema divino de comunicação inclui tanto homens como mulheres. Embora mencionadas menos vezes que os homens, as mulheres profetisas foram reconhecidas por seus contemporâneos como autênticas mensageiras do Senhor. Elas explicaram as Escrituras, aconselharam líderes e fizeram importantes predições” (Mensageira do Senhor: O Ministério Profético de ­Ellen G. ­White, p. 19).

IV. Profetas da nova aliança

O Novo Testamento reconhece amplamente a autoridade divina dos profetas do Antigo Testamento. Quando Jesus dizia: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim” (Jo 5:39), referia-Se ao Antigo Testamento. Ao dizer “e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo ­Jesus. Toda a Escritura é inspirada por ­Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de ­Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:15-17), Paulo também se refere aos escritos dos profetas da antiga aliança.

Ao mesmo tempo, o Novo Testamento fala de outros profetas, posteriores aos tempos do Antigo Testamento. Aparece a figura pre-eminente de João Batista, anunciando a obra redentora do Senhor Jesus. Simeão e Ana pronunciaram palavras proféticas durante a apresentação de ­Jesus. Ágabo, entre outros, profetizava em tempos apostólicos (At 11:27-28). Diz Atos 13:1: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres”. Pouco mais adiante se lê: “Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram” (At 15:32).

É verdade que o Novo Testamento adverte contra o surgimento de falsos profetas (Mt 7:15-20; 24:11, 24; 2Pe 2:1; 1Jo 4:1), mas, ao falar das falsificações, tem por certo que haveria verdadeiros profetas. Em 1 Tessalonicenses, considerada por alguns como o primeiro do­cumento do Novo Testamento, Paulo expressa conceitos claros: “Não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de ­Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1Jo 4:1). Haveria falsificações, mas também verdadeiras manifestações do dom de profecia.

Nas listas neotestamentárias dos dons do Espírito (Rm 12; Ef 4 e 1Co 12–14), o dom de profecia se destaca em forma preeminente. Paulo diz “a outro, profecia” (1Co 12:10) e conclui: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis [...] “Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando” (1Co 14:1, 3).

Parece evidente que o dom de profecia seria necessário nos tempos do Novo Testamento e em todos os tempos até mesmo o fim (Ef 4:11-16).

Conclusão

Os profetas foram instrumentos de Deus ao longo da história. Seu ministério é uma resposta à iniciativa divina e à necessidade humana da instrução e direção de Deus. Foram importantes para Israel nos tempos da antiga aliança bem como para a igreja cristã do Novo Testamento.

Para cumprir Seu propósito, Deus Se valeu dos mais variados agentes. Respeitou sua individualidade e suas características temperamentais. Usou-os na diversidade de suas qualidades pessoais e, na escolha, não Se limitou por questões como idade, cultura, sexo ou posição social.

Os profetas foram elos humanos da grande cadeia de graça que se estende desde os Céus à Terra para a salvação dos homens.  


Daniel Oscar Plenc

Diretor do Centro de Investigación ­White

Universidad Adventista del Plata - Argentina


 

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